sexta-feira, 21 de junho de 2019

VIVA O VERÃO



Hoje tenho o brilho do Sol, o marejar do mar;
Tenho o calor da natureza
e a frescura das águas das fontes;            
Tenho o Verão que me abraça,           
o futuro quão esperado da alegria no corpo
e a felicidade da vida para amar!   

Respiro pela manhã, o odor das rosas,
e saboreio o sabor da fruta;         
Ouço o cântico do pássaro,
e a música dos sonhos da esperança;                    
A alegria da vida do renascer de mais um Verão,
e a aragem do amor que nos abraça e se desfruta!

Hoje tenho o brilho dos sonhos,
e os abraços das chegadas ansiosas;         
A esperança que amanhã é dia de concórdia,
de amor, de fraternidade;
É dia de poesia da vida que vamos abraçar e amar,
viver entre todos como irmãos,
partilhando-a, e a todos dar.

Hoje, com este calor da amizade e a frescura da ternura,
com o encanto das flores e o abraço querido da paz,
meu desejo é para todos vós, isto que tenho, partilhar,
para que todos os corações sejam felizes e saibam amar.

E porque chegou o Verão,
abraçarei a brisa deste mar que me aconchega;
abençoarei em hinos de louvor, de afeto e amor.
Neste silêncio quente
e de som refrescante vindo dos búzios,
ouço uma palavra ansiosa, esperada,
que me suaviza e me abraça: Verão!

Neste silêncio, ouve-se um grito de alegria à vida;
das mãos, que saia o abraço da fraternidade;
dos lábios, a palavra da amizade
 e dos corações, o sentido do afeto.


Valdemar Muge

domingo, 9 de junho de 2019

O ROSTO



Rosto, que percorres nos caminhos de lajes
recalcadas pelo tempo da vida:
tuas rugas, são reflexo desse tempo que em ti passou,
que viveu, que fecundou.

No teu rosto, está a saudade da felicidade
e do amor de então, dum tempo nostálgico que passou,
duma essência que mais não volta, mas que tanto amou.
Está a recordação dum sofrimento,
duma angústia gravada nas rugas lapidadas
que o coração sentiu e guardou.

Contemplo teu rosto e teu olhar: vejo-o sem máscara;
vejo a figura modelar nos sulcos das rugas, estampada:
das brisas e das tempestades, das chuvas e do sol,
duma vida dura, exposta á sobrevivência da vida.

Naquele rosto de barba grisalha,
quantas lágrimas retidas, sofridas, permaneceu
sem que alguém as visse e enxugasse pudesse,
mas o calor do sol as secou e as marcas cicatrizou...

É no santuário destes rostos,
que os mistérios da vida se revelam
em quanta luz habitada que procuramos,
porque neles está o espírito e vida, unidos,
mistério este admirável, que encontramos.

Eis o rosto da pessoa que na vida caminha
cruzando-se com os seus irmãos,
distribuindo sorrisos de criança e afetos partilhados,
rasgando e destruindo dos rostos dos homens
atormentados: o mal,
para que o amor, encha por inteiro,
os corações vazios e dilacerados.

Naquele olhar que na rua passa,
está o brilho dum homem de horizonte distante,
duma vida que também sonhou com a felicidade,
com o amor:
recordações guardadas, queridas, jamais esquecidas.
Está o reflexo dum triste coração de falta de carinho,
de uma melancólica vida, sentida de vivência vazia.

Quando seu rosto por mim passa,
e tantos outros por aí habitados,
vejo a figura de um irmão que quer a carícia confortante,
a esperança de que quer viver o amor e a felicidade,
de que quer ter as lágrimas saciadas
 com sorrisos florescidos e ternura partilhada,
para que este canto sempre se ouça nos corações da paz.


Valdemar Muge