quinta-feira, 2 de novembro de 2017

QUANTAS

Aí jazem as vidas que foram e sentiram,
espectros que recordam que aqui viveram;
      Vidas que nasceram da penumbra solidão
      para as auroras da Luz solar da vida.

Vidas é força Criadora no Universo humano,
missão das almas na concórdia e do amor;
      Fraternidade nos povos de boa vontade,
      louvor do que somos e melhor sermos.

Vidas que sois e como vós o foram:
Tiveram quantos ódios e jactâncias;
      Tanta mesquinhez junto de tanta penúria...
       mas tudo aqui morre no escuro cavo.

Ó almas que dormis ou descansais de quantos tormentos?
Elevai-vos ao encontro da Luz do Amor!
       Com certeza tereis a recompensa devida,
       da caminhada aqui percorrida e empreendida.

Vida, é semear as acções da fraternidade;
o querer Saber para a dignidade humana;
        É recheio de alegria e tristeza,
        desassossegos e meditações, com certeza.

Seremos fontes renovadoras deste Universo,
contínuo fluxo da existência da vida;
        Daremos o exemplo de vidas irmanadas,
        elo de amor em todos, de mãos dada


Valdemar Muge

sábado, 18 de março de 2017

A VIAGEM


Na nebulosa da poesia imaginada, naveguei...
nela, segui para onde me quiz levar.
Atravessei mares de ondas suaves e revoltas,
aragens e maresias,
e encontrei saudades e amizades.

Naveguei  universos com estrelas celestiais,
onde existia almas de amor e bondade;
ouvi cânticos e vi açucenas de pureza,
que aconchegam aquela felicidade infinda;
vi paz esperada
de quem a cultivou e sempre a amou.

Viajei por estrelas, quantas que me receberam:
umas, cheias de infinita claridade,
tinham almas com luz luz de felicidade;
mas outras, quantas escuras, sem luz, negras,
que guardavam sentidos de sofrimento,
arrependimentos de maldade.

Vi multidões de peregrinos a caminhar
ao encontro dos horizontes de luz;
e vi quantos para traz a ficarem
sem coragem para chegarem ao destino
que ansiavam encontrar.
Caminhavam à frente, os de mãos limpas,
e espíritos de fé…  
mas a traz, quantos encobertos, disfarçados,
se perdiam no caminho!
               
Para uns, a caminhada se ia suavizando,
seria a gratidão do que sempre acreditaram...
eles ouviam cânticos de louvor;
incensos de pureza se espalhavam,
e suas almas, mais branquiadas ficavam...
mas noutros, os ímpios,
a luz do caminho se ia diluindo,
e o negro caminho se aproximava a seguir...
tropeçam em buracos negros
e caem em escuras estrelas:
ali ficam, à espera que outras lhes surgem...
carregam os frutos germinados do que semearam,
pesados, rastejando, os seus lamentos não são ouvidos...

E na nebulosa, onde viajei, regressei;
os sentidos poéticos que passei, trouxe-os,
como mensagens de paz e amor.

Agora que cheguei, sei que viver não é em vão;
o que aqui será em tudo que se fará,
nos actos que vão, serão
Além a recompensa do que aqui são.

 Valdemar Muge


sábado, 11 de março de 2017

A SAUDADE DELA FIQUEI


Agora me lembro que em cima da mesa ficou,
esquecida, quanta poesia,
que tanto queria comigo vir,
nesta viagem que agora encetei.
                                                     Agora, só dela me resta, com a saudade ficar,
por a não poder o carinho lhe dar...
enquanto eu não regressar,
as palavras deixadas, que voem até vós,
e o eco das vossas vozes se ousam onde eu estiver:
guardai-as!
a todos vós, vos peço que não a abandoneis;
que a trateis com carinho e afeto;
a regueis com os olhos da amizade,
e a afagueis com as mãos da cordialidade.

Que a noite traga o claro dia de alegria e felicidade,
recheada com a poesia que vos deixei.
De vós, das palavras deixadas,
que brilhe o fogo do meu sentir
e se faça luz desta minha escura saudade!

      Do fogo deixado,
se faça chama de amor nos vossos corações
e se espalhe com estes meus sonhos;
Deste meu sangue aspergido nas palavras escritas,
   corra a alegria e a felicidade nas vossas veias;
        na força das vossas mãos,
                                                   nasça as palavras sentidas de quem ama a poesia,
      de quem ama a vida dia-a-dia!
  
                                                    ... e eu, aqui fico com a vossa saudade junto de mim,
                                                                 nesta ausência até não sei quando,
                                                                de todos vós, mas que há de ter fim.


Valdemar Muge 

sábado, 1 de outubro de 2016

SONHOS DE CRIANÇA


Tu que foste como também o fui,
criança feliz ou menos feliz,
quando os teus sonhos começavam a nascer,
e os teus desejos começavam a florescer
nesse teu mundo de infância,
tuas vivências eram onde a fantasia existia.
Hoje, são recordações do passado,
foram imaginações de menino:
todas se desvaneceram, se diluíram.
Foram castelos de areia que desmoronaram,
foram barquinhos de papel
que na água correram e naufragaram.

Sonhavas, imaginavas:
que os sorrisos nunca desapareciam dos rostos,
e o amor
permaneceria sempre nos corações das pessoas;
que a paz, era infinda,
e a fraternidade era fecunda, sempre floresceria.
Mas os teus sonhos, criança, correram como o vento
sem que os pudesses agarrar...
eles foram como nuvens que se diluem no espaço,
e as estrelas não brilharam nas tuas fantasias.

Crescei, que os caminhos da realidade vos surgirão,
e muitos outros sonhos virão
que quereis que sejam realizados.
Tudo virá no seu tempo:
Com as primaveras,
terás as tuas flores do amor
com as alegrias e felicidade da vida, que terás direito.
Com o calor da vida,
construírás as tuas realidades
alicerçadas na honra e na coragem,
onde, um dia, nos outonos,
depois de teres vivido as auroras que te floresceram
e percorrido as brumas do tempo passado,
recordarás os sonhos que por ti passaram
e que quantos então realizaste.

 Valdemar Muge

SONHOS DE CRIANÇA


Tu que foste como também o fui,
criança feliz ou menos feliz,
quando os teus sonhos começavam a nascer,
e os teus desejos começavam a florescer
nesse teu mundo de infância,
tuas vivências eram onde a fantasia existia.
Hoje, são recordações do passado,
foram imaginações de menino:
todas se desvaneceram, se diluíram.
Foram castelos de areia que desmoronaram,
foram barquinhos de papel
que na água correram e naufragaram.

Sonhavas, imaginavas:
que os sorrisos nunca desapareciam dos rostos,
e o amor
permaneceria sempre nos corações das pessoas;
que a paz, era infinda,
e a fraternidade era fecunda, sempre floresceria.
Mas os teus sonhos, criança, correram como o vento
sem que os pudesses agarrar...
eles foram como nuvens que se diluem no espaço,
e as estrelas não brilharam nas tuas fantasias.

Crescei, que os caminhos da realidade vos surgirão,
e muitos outros sonhos virão
que quereis que sejam realizados.
Tudo virá no seu tempo:
Com as primaveras,
terás as tuas flores do amor
com as alegrias e felicidade da vida, que terás direito.
Com o calor da vida,
construírás as tuas realidades
alicerçadas na honra e na coragem,
onde, um dia, nos outonos,
depois de teres vivido as auroras que te floresceram
e percorrido as brumas do tempo passado,
recordarás os sonhos que por ti passaram
e que quantos então realizaste.

 Valdemar Muge

sábado, 24 de setembro de 2016

A AMIZADE


A verdadeira amizade
abraça e une os corações,
como os mares abraçam a Terra:
não tem idade,
não sabe qual o princípio,
nem quando é o fim…
é infinito que sempre devia existir.
Ela mora na criança ou no idoso,
vive da fraternidade e do amor:
como a luz vive para o dia
e a árvore para o ar;
faz parte da força da vida,
como a vida é força da Natureza.

 Valdemar Muge

sábado, 9 de julho de 2016

AS ROSAS DA SAUDADE

                       

             Partiste, e tuas rosas, sozinhas ficaram.
 Não mais brilho tiveram,
 não mais viçosa cor nelas se viram.
De rosas, em flores de saudades se tornaram,
em tristes pétalas se transformaram.

Sois flores de luto,
 sois tristeza que no vosso jardim habita;
Na solidão infinda, vos tornaram escuras;
vossa rosa cor,
 já cor não é… e o aroma foi até.
 Minhas lágrimas,
 são refúgio nas vossas pétalas,
que sequiosas,
delas se tornaram o único conforto.
 Essa saudade sentida que em vós consome a vida
 e que vos leva à agonia,
em meu coração, a mesma povoa…
tristeza esta
 que na minha alma trespassa dia-a-dia.
Minhas lágrimas em vós repousam…
delas,
sois regaço acolhedor desta triste separação
 que juntos temos e vivemos,
 no tempo que passa.
Minha alma, nostálgica,
 de quem já está no Além,
 dos meus olhos ungidos das lágrimas,
sai o pranto sobre as rosas,
que já nem cor têm,
 nesta tristeza que de meu peito vem.
                                                                                             
As lágrimas, que nas saudosas rosas repousam,
é  bálsamo de quanto tanto meu sentir…
agora, ó rosas, que já não tendes esse vosso ser,
ide,
 levai-lhe a minha também saudade,
de quem já não mais posso ter!
                                                                                                                                 
 Agora, que vossas rosas, para ti, já foram,
 ficarei a chorar sozinho,
 as lágrimas da pungente dor,
neste silente tempo da falta da tua meiguice,
ó mãe que para Além foi!
Mãe querida,
agora que és chama de amor,
és vida infinda, és luz bendita…
 aureolada com o encanto das rosas que tens,
 na saudade imensa que de mim conténs,
 anda comigo quando te peço,
 anda comigo no nosso amor perpétuo,
 anda comigo nos queridos pensamentos
quando te beijo,
e, com as nossas rosas,
abraçar-nos-emos num saudoso e querido abraço.
                                                   
 Valdemar Muge