sábado, 11 de março de 2017

A SAUDADE DELA FIQUEI


Agora me lembro que em cima da mesa ficou,
esquecida, quanta poesia,
que tanto queria comigo vir,
nesta viagem que agora encetei.
                                                     Agora, só dela me resta, com a saudade ficar,
por a não poder o carinho lhe dar...
enquanto eu não regressar,
as palavras deixadas, que voem até vós,
e o eco das vossas vozes se ousam onde eu estiver:
guardai-as!
a todos vós, vos peço que não a abandoneis;
que a trateis com carinho e afeto;
a regueis com os olhos da amizade,
e a afagueis com as mãos da cordialidade.

Que a noite traga o claro dia de alegria e felicidade,
recheada com a poesia que vos deixei.
De vós, das palavras deixadas,
que brilhe o fogo do meu sentir
e se faça luz desta minha escura saudade!

      Do fogo deixado,
se faça chama de amor nos vossos corações
e se espalhe com estes meus sonhos;
Deste meu sangue aspergido nas palavras escritas,
   corra a alegria e a felicidade nas vossas veias;
        na força das vossas mãos,
                                                   nasça as palavras sentidas de quem ama a poesia,
      de quem ama a vida dia-a-dia!
  
                                                    ... e eu, aqui fico com a vossa saudade junto de mim,
                                                                 nesta ausência até não sei quando,
                                                                de todos vós, mas que há de ter fim.


Valdemar Muge 

sábado, 1 de outubro de 2016

SONHOS DE CRIANÇA


Tu que foste como também o fui,
criança feliz ou menos feliz,
quando os teus sonhos começavam a nascer,
e os teus desejos começavam a florescer
nesse teu mundo de infância,
tuas vivências eram onde a fantasia existia.
Hoje, são recordações do passado,
foram imaginações de menino:
todas se desvaneceram, se diluíram.
Foram castelos de areia que desmoronaram,
foram barquinhos de papel
que na água correram e naufragaram.

Sonhavas, imaginavas:
que os sorrisos nunca desapareciam dos rostos,
e o amor
permaneceria sempre nos corações das pessoas;
que a paz, era infinda,
e a fraternidade era fecunda, sempre floresceria.
Mas os teus sonhos, criança, correram como o vento
sem que os pudesses agarrar...
eles foram como nuvens que se diluem no espaço,
e as estrelas não brilharam nas tuas fantasias.

Crescei, que os caminhos da realidade vos surgirão,
e muitos outros sonhos virão
que quereis que sejam realizados.
Tudo virá no seu tempo:
Com as primaveras,
terás as tuas flores do amor
com as alegrias e felicidade da vida, que terás direito.
Com o calor da vida,
construírás as tuas realidades
alicerçadas na honra e na coragem,
onde, um dia, nos outonos,
depois de teres vivido as auroras que te floresceram
e percorrido as brumas do tempo passado,
recordarás os sonhos que por ti passaram
e que quantos então realizaste.

 Valdemar Muge

sábado, 24 de setembro de 2016

A AMIZADE


A verdadeira amizade
abraça e une os corações,
como os mares abraçam a Terra:
não tem idade,
não sabe qual o princípio,
nem quando é o fim…
é infinito que sempre devia existir.
Ela mora na criança ou no idoso,
vive da fraternidade e do amor:
como a luz vive para o dia
e a árvore para o ar;
faz parte da força da vida,
como a vida é força da Natureza.

 Valdemar Muge

sábado, 9 de julho de 2016

AS ROSAS DA SAUDADE

                       

             Partiste, e tuas rosas, sozinhas ficaram.
 Não mais brilho tiveram,
 não mais viçosa cor nelas se viram.
De rosas, em flores de saudades se tornaram,
em tristes pétalas se transformaram.

Sois flores de luto,
 sois tristeza que no vosso jardim habita;
Na solidão infinda, vos tornaram escuras;
vossa rosa cor,
 já cor não é… e o aroma foi até.
 Minhas lágrimas,
 são refúgio nas vossas pétalas,
que sequiosas,
delas se tornaram o único conforto.
 Essa saudade sentida que em vós consome a vida
 e que vos leva à agonia,
em meu coração, a mesma povoa…
tristeza esta
 que na minha alma trespassa dia-a-dia.
Minhas lágrimas em vós repousam…
delas,
sois regaço acolhedor desta triste separação
 que juntos temos e vivemos,
 no tempo que passa.
Minha alma, nostálgica,
 de quem já está no Além,
 dos meus olhos ungidos das lágrimas,
sai o pranto sobre as rosas,
que já nem cor têm,
 nesta tristeza que de meu peito vem.
                                                                                             
As lágrimas, que nas saudosas rosas repousam,
é  bálsamo de quanto tanto meu sentir…
agora, ó rosas, que já não tendes esse vosso ser,
ide,
 levai-lhe a minha também saudade,
de quem já não mais posso ter!
                                                                                                                                 
 Agora, que vossas rosas, para ti, já foram,
 ficarei a chorar sozinho,
 as lágrimas da pungente dor,
neste silente tempo da falta da tua meiguice,
ó mãe que para Além foi!
Mãe querida,
agora que és chama de amor,
és vida infinda, és luz bendita…
 aureolada com o encanto das rosas que tens,
 na saudade imensa que de mim conténs,
 anda comigo quando te peço,
 anda comigo no nosso amor perpétuo,
 anda comigo nos queridos pensamentos
quando te beijo,
e, com as nossas rosas,
abraçar-nos-emos num saudoso e querido abraço.
                                                   
 Valdemar Muge 


sábado, 18 de junho de 2016

A LÁGRIMA



Na lágrima da solidão,
cresceu a flor do amor,
quando te vi pela primeira vez;
foi luz da esperança que começou a brilhar;
foi alegre sentir que nasceu em meu coração.

Seria visão, essa tua aparição?
- pois não mais te encontrei, seria talvez ilusão…
Procuro o amor, procuro o que sempre desejei.
Agora, em mim, ficou o sentir da saudade;
ficou o ensejo de que sempre te amei.
Com ela fiquei, mas sempre a regarei!

Oh, quando de novo, enfim, nos encontrámos!:
A minha flor da saudade, se desfolhou nas tuas
amargas lágrimas que deixavas no teu caminhar…
 com o sentir da esperança da felicidade futura,
minha e tua,
a flor do amor voltou,
com essa ficamos, e teu coração florido ficou…

Agora, essas flores, tuas e minhas,
que em nossos corações crescem,
são regadas com o orvalho da felicidade e da alegria,
momentos ansiosos que desejávamos e criamos.

O amor,
sempre fará transformar as lágrimas
em doce alegria e felicidade.

O amor faz nascer as auroras de luz e de paz!

Valdemar Muge

sábado, 11 de junho de 2016

O RAMO DE FLORES


Trouxeste-me essas flores,
como prova de carinho e afeto:
que lindas são, formosas como tu, amor!
Obrigado pelo teu sentir tão belo em flor.

Repara minha querida, nessas flores que trazes,
por mais cuidado que fazes,
elas trazem as lágrimas da saudade,
a dor da despedida da sua vida,
nas pétalas que foram cortadas.
Não mais serão viçosas, mimosas,
porque lhe cortaste a seiva da raiz:
Decepaste-lhes o sentir de ser,
era vida que elas sempre queriam
 no seu florir de beleza que viviam…
e não dor, que do seu sentir agora te mostram.
Era vida, beleza, que te queriam dar,
e não lágrimas sentidas que se derramam ao teu olhar!

Quiseras tu dar carinhos e afetos,
esses, nas flores que trazes,
 depressa são efémeros…
pois em ti, e só em ti, pelo que vi e senti,
tens a doçura no olhar, o sorriso nas faces,
a candura no coração!
Esses, sim! Como preciosos são!
Que mais poderia eu receber,
que tudo do que para além do que tens,
jamais é tão precioso e se possa dar?

Em nós, cultivemos as flores do amor e da paz,
porque essas, serão as mais preciosas e belas,
sentimentos que na vida se faz!


Valdemar Muge

sábado, 4 de junho de 2016

AS TUAS MÃOS


Ditosas as mãos que honram o trabalho, a arte,
a realização da harmonia entre os povos!
Ditosas sereis sempre vós, ó mãos queridas,
que acarinham, que aconchegam, que partilham!

Ditosas mãos que se erguem ao céu
em sinal de louvor, de oração, de paz!
São essas tuas mãos, que aí estais,
que possuem
o amor, o afeto, a dedicação
para a humilde criança;
para o amigo que a cada momento encontras;
para o idoso que te necessita e espera!

Ó mãos abençoadas por Deus!
Ele, nelas, te pôs a bênção
para espalhares a paz,
a harmonia, o amor!
Ó mãos afetuosas de pais, de casal, de filhos!:
Sois mãos de crer, de bendizer, de amor.
Mãos que também podem ter a flor da paz,
e a arma da guerra!

Ditosas mãos que faz nascer o grito da vida,
da música da alegria;
que faz cantar a poesia, o adeus da despedida!
Sublimes as mãos que acarinham a flor,
mas mais sublimes serão
as que acarinham os corações e a dor!
  
 Nas tuas mãos, que me ouvis,
abrem-se as flores da amizade.
Se nas minhas pudessem desfolhar o amor,
a paz, a alegria… então,
eu espargia por toda a parte,
esses encantos sem fim!

 Valdemar Muge