sábado, 7 de maio de 2016

UM MARCO DE FÉ


Eis um símbolo da fé dum povo; 
eis um marco que a fé ergueu:
o templo que resiste às águas
porque a pedra diz que é seu,
e não as ondas que o deu!

Das brancas areias,
lavadas pelas águas do mar,
ergue-se da pedra,
a imagem que se venera;
a que perpétua o facto;
que simboliza o acontecimento;
que revive a fé dum povo, em Cristo seu protector.

Da rocha, ergue-se o templo que as águas enfrenta
como valoroso de que a fé será maior que a força!
As águas enfrenta e a elas sempre tem vencido:
por elas não quer ser levado,
por o povo, quer continuar a ser erguido!

Esteja rodeado das brancas areias
ou das salgadas águas que lhe quer abraçar,
(talvez, também o queira consigo levar,)
sempre se erguerá ao céu;
à luz da fé que o acolhe;
ao sentir nos corações,
de que existe um protetor
para a alegria da vida e da dor!


Valdemar Muge

sábado, 6 de setembro de 2014

NAS RUAS QUE PERCORRIAS


Na rua por onde percorrias
nos fadigados dias que passam,
 com tua airosidade juvenil,  nela largavas
quanta alegria,
quanta graciosidade no ar deixavas.
Elas ficavam mais floridas,
ficavam com quanta suavidade e cor:
era teu perfume de flor que também o eras;
teu natural encanto, do teu suave odor.
Seus olhos, deixavam cair no olhar
o encanto da graciosidade;
sua boca, o silencio da tranquilidade
e os sons da feliz mocidade;
do seu corpo,
a beleza se espalhava na aragem que passava
e a todos envolvia, afagando.

Ó flores de encanto meu, que já não vos vejo!
Das tuas ruas de encanto seu,
as flores de então, já a vida viveu:
saudosas talvez, daquelas que por lá viveu.
Ó fontes que também por elas choraste,
 vossas lágrimas correram no leito da saudade
 desses dias alegres passados e de felicidade.

Hoje respiro na aragem que passa
com as saudosas recordações que ainda me enlaça,
desse encanto das flores  da minha terra
 que nas ruas percorriam e que à luz do dia a todos sorriam
e aos corações faziam amar.
Hoje nas fadigadas ruas por onde passo,
outras airosidades outros corações abraça.
Das antigas flores de encanto meu,
daquelas de graciosidade infinda que os corações abraçava,
resta-me a saudade que fica do que já passou…
nas actuais, é futuro que no tempo ficou.

Valdemar Muge

quarta-feira, 19 de março de 2014

SAÚDADE


Vivo embalado no pensamento da saudade,
no Outono das estações,
das recordações passadas,
quanto vividas, quanto sentidas e amadas.

Navego na brisa do mar onde cresci,
das águas que à praia me murmuravam, onde vivi;
na saudade das quentes tardes
e do pôr do sol que as águas adormecia;
das frescas noites que aquele mar embalava
numa carícia que a maresia dava!
Que saudade,
quanto se amava!

Vivo no pensamento da saudade
do crepitar alegre do meu povo
que a beleza da mocidade dessa gente
sabe dar e nossos corações recebe e sente.
Da azáfama da labuta pela vida;
da esperança não perdida, sempre renascida.

Meu pensamento percorre as ruas polidas pelo trabalho
e dos sorrisos gentis da cordialidade e simpatia;
Dos campos trabalhados e ceifados;
Dos canteiros e janelas floridas ao sol primaveril
que abraçam e coloriam a natureza da minha terra.
Mas hoje, em meu coração chove
a saudade do tempo que passa
e a nostalgia nele enlaça.

Vivo nas horas sentidas da saudade,
nas badaladas que o relógio adormece,
que o tempo esfria e a vida estremece...
já não são quentes as noites que as estrelas espreitavam
as serenatas que se entoavam às janelas,
e aquele amor que quanto se ansiava, o sorriso dava.
As desfolhadas que os abraços se dava
entre corações em festa e lábios com sorrisos.
Saudades tantas, dessas noites quentes!
Agora, as estrelas embaciadas e lentas,
já não correm como tanto se via...
como na mocidade tudo corria, se vivia!...
Nas noites frias,
a saudade acontece
e o coração empobrece.

No vento da vida de então, vivi, sonhei…
nele, meu ser correu e os sonhos viveram.
Agora, o tempo é sereno, ameno,
e no aconchego da quietude, mora esta saudade.
Esta saudade que cada vez mais cresce,
que cada vez ao coração mais pertence,
que cada vez
mais à minha alma vence.

 Valdemar Muge 


                                                               

domingo, 5 de maio de 2013

ONDE ESTÃO AS ROSAS



Onde estão as rosas
que deixaste espalhadas
nos teus singelos e queridos momentos?
Saudade delas agora tenho...
Onde estão as flores
que deixaste com tuas orações e afectos,
na tua quietude havida?
Como as queria agora abraça-las...
Onde estão as pétalas do amor
que espalhaste aos corações queridos,
para que fortalecesse a união fraternal?
Como agora ainda as queria receber...
Onde estão as sementes
por ti semeadas
que na vida as lançaste
com teu carinho e amor?
Onde estão?
Ó saudosos tempos de paz,
amor e afecto!...

- Essas, não morreram!
Vejo-as nos corações que te recordam
e que sempre te amam.
Vejo-as no que à minha volta rodeia,
deixado e sentido por ti.
Tuas sementes,
florescerão sempre nos corações
que desejam o amor e a fraternidade, Mãe.

Valdemar Muge

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

POEMA FRATERNAL


Recordações, fragmentos da vida passada,
lembranças tantas, do quanto vivemos.

Quantas lembranças, objectos arrecadados moram:
recordações queridas, que no peito ainda afloram.
Eis aquelas fotografias, esquecidas algumas,
recordam momentos da sua serena juventude,
de encanto primaveril.
Nelas, está a imagem da esperança do amor
de mulher, e de ser mãe.
Exalam o ânimo duma nova família;
a vontade de lutar para a vida!

Mas a Luz das recordações,
traz à memória
quanta triste ilusão
que ocorreu na estrada peregrina:
Todos os desejos acabam
e tudo lá ficou...
destino cruel duma vida.

Valdemar Muge

sábado, 10 de novembro de 2012

ARRUELA



Arruela, é um lugar de ramificadas ruas, (em tempos estreitas,)    que se formavam em redor de um largo, onde em comunidade viviam as suas vidas.
É estar num dos lugares do alvorecer do povo Vareiro, que despontava para
as suas labutas.
Seio do nascimento dos corajosos pescadores e das airosas varinas, não menos graciosas que de outros lugares.
Os lavradores desta terra de verdejantes campos de cereal, marcaram também o destaque com a sua vivência.
Lugar de bons artífices do barro e da madeira, nas suas artesanais construções, quanto de bem apreciadas.
Lugar de quantos fornos do quente pão, do cereal que desta terra nascia e dele era saboreado. Das doces broas (de Pão de Ló), que seu cheiro tão desejoso, irradiava por todo o bairro e o calor dos seus fornos aquecia toda a casa, aconchegando desde o mais velho e ao de tenra idade…
Foi sim, berço de trabalho, de cultura e desporto, que esses corajosos vareiros que daqui se espalharam por toda esta terra e por outras bem distantes, enaltecendo o nome de onde nasceram.
Foi, com certeza, no aconchego deste lugar, que o fresco aroma dos seus pinheiros e o exalar perfumado das suas flores, nascia a beleza e a graciosidade feminina que por todos era conhecida e lembrada.
Hoje, ouviremos o chilrear dos pardais, ao recolher do dia, que nos faz lembrar as melodias então cantadas pela mocidade daquele lugar e no silêncio nocturnal eram ouvidas nas serenatas do apaixonado àquela jovem casadoira que estaria por dentro da quadriculada janela.
Lembremos com saudade os encantos que um lugar teve, recordando as vidas que por lá passaram e ficaremos agora com outras não menos queridas, desfrutando a felicidade, seja de qual o lugar, têm direito a viver.

Valdemar Muge 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

MENINA DO SEMPRE PRESENTE



Menina das espelhadas águas ribeirinhas,
(como também o são quanto minhas)...
do tão branco sal e das espigas douradas:
nasceste nos dias das lágrimas sufocadas,
nos da dura luta pela vida
e do amargo pão de cada dia.

Menina, teus livros são foicinha afiada;
Teus mimos, trabalho que nos braços encerra;
Tua vida, duros sulcos que ficam na terra lavrada:
recordações estas te ficaram desta tua terra.

Pequena pomba que do ninho saíste,
para onde não sei, no vento seguiste.

Tão jovem, as agrestes calçadas corrias,
nova gente, novos caminhos percorrias,
menina triste, como tão cedo as viste!…
Pois a mais no teu lar te quiseram dizer,
(sempre uma filha na família se deve criar,
maravilhoso fruto da vida, esse, se deve amar),
mas parece que isso não quiseram ver!

Menina minha, das terras ribeirinhas,
tuas águas, então, mais salgadas ficaram:
quantas lágrimas deixaste que as tinhas,
um tão jovem coração levas em latejo dorido,
e apenas só um abraço de saudade te deram!

Quantos sonhos, voando, que lá ficaram,
e apenas recordações fraternas contigo vão…
Estrela tua querida que te acompanha,
amiga que te guia e sempre seja boa chama.

Obrigada aos outros servir,
(assim foi a instrução da tua vida),
mas quantas vezes para teu brio não morrer
e a alma, a coragem vencer,
avante tua verdade propagar,
deixavas flutuar tua razão e ao lar voltavas.

A pomba o ninho não esquece,
será sempre seu refúgio maternal.
Ó vida, quanto tens de bem e mal,
mas na alma,
a chama daqueles que seus são,
não arrefece!

Sonhos que no orvalho da manhã se dissipam:                      
tuas brancas águas, como já lá não estavam…
pois quando foste, elas também não ficaram!
Hoje, são escuras, como escuro ficara teu coração,
da saudade daquilo que também era teu... assim, não!
Era a voz do pássaro que à noite chegava
ao ninho dos filhos, a autoridade impor,
fazia ecoar o destino, novo caminho, nova dor,
àquela que é sua e agora no seio albergava,
até quando? Até quando…

Menina das espigas douradas,
com a sacola mais vazia partes,
mais uma lágrima na tua terra deixas
sem lamento ou direito a qualquer queixa.
Assim cresceste, dura vida,
vida que te deram aqueles teus.
Tua mocidade foi salpicada de lágrimas
e quantos desabafos e suplicas vãs.

No coração, sempre fica uma gota de orvalho carinhoso
e uma réstia de chama que dentro de nós propaga.
Quanto valor tem o ser humano que pouco recebe,
mas esse, a alma enobrece
quando dá àquele quanto pode,
que pouco fez, mas que precisa e padece.

Eis a menina do triste passado,
mas de querido sempre presente,
de sonhos e carinhos como tantas outras,
                  que a vida lapidou de espinhos agrestes.
Hoje, és aquilo que não foste...
e foste aquilo que não querias ser.
                                                                                             
 Valdemar Muge