sábado, 28 de maio de 2016

SE PUDESSE ASSIM PARTILHAR



Se eu pudesse,
as lágrimas que se derramam do meigo olhar,
e deslizam nas macias
e molhadas faces da inocente criança,
transformá-las-ia!:

As da dor que do seu coração sai,
em sorrisos de felicidade seria;
as da angústia que da alma transborda,
em balsamos de conforto daria;
as do desespero pela fome
que nas bocas paira,
em lençóis de trigo moído estendia;
as das inocentes abandonadas
 pelas incompreensões,
daria as mãos protectoras queridas;
as lágrimas das órfãs pelas guerras
 e pelas desgraças,
daria um coração amigo,
um afago de conforto infindo,
todo meu ser para uma vida feliz!

Se eu pudesse assim fazer, então sim,
seria um ser imensamente feliz,
comungado na partilha do amor!
Pudesse eu,
todas as lágrimas que caem nos tristes rostos,
transforma-las em auroras de luz,

 alegria, e felicidade!

Valdemar Muge

sábado, 21 de maio de 2016

DEIXAI-ME NO MEU VIVER

                           
              

Deixai-me viver o dia que brilha, em meu coração;
deixai-me com a força do amor, no meu espírito!
Deixai-me cantar, amar, viver,
como quero continuar a assim ser!
Não me tirem este meu sentir,
destino este com que vim e, assim quero continuar a ser!

Oh, são as incompreensões, as maldades,
os ódios que nos dias que passam,
que pairam no tempo, que habitam em tantos corações,
que entristece meu ser,
que me roubam o meu feliz sentir que me faz viver;
são os claros dias, que se tornam nevoados, sombrios e tristes,
das nuvens poluídas dos maléficos tempos,
para não vos continuar a cantar
o sentir que sempre desejei e amei!

Deixai-me viver, deixai-me!
Deixai-me ter as rosas que desabrocham no jardim,
( mesmo as singelas, que seja, mas puras!);
o fruto que a natureza à vida oferece nos límpidos dias,
sem másculas impregnadas,
para vos cantar a alegria do viver!
Os dias onde existem as mortes criminosas e de terror;
as lutas impiodosas e maldosas;
as vinganças maléficas, onde paira as mãos sanguentadas,
que desapareçam de todo o ser!
Que não mais existam!
 Que habite em todos os povos, este querer!
                                            Oh, se assim fosse, como seria belo o viver!
                                                                                                                                                   
                                          Deixai-me vir os dias da cristalina água das fontes,
sem o sangue derramado das desgraças;
o marejar do mar a acarinhar a meus pés,
sem as lágrimas dilaceradas!
Deixai-me respirar o cheiro da terra molhada
do suor do trabalho,
e a resina das árvores que ao céu se erguem
em louvor à natureza!
Deixai rebentar a videira,
para beber a alegria de viver
e cantar todo esse sentir!
Deixai-me ouvir a música da alegria,
onde as águas cantam
e os pássaros acompanham;
onde a brisa embala a melodia da poesia,
e a luz dá cor e faz florir o espírito;
onde nas pedras, pode nascer as singelas flores
e da terra lavrada,  o trigo da vida;
onde a paz habita e a felicidade resplandece!

Não quero ver os arbustos impregnados
com a pungente dor da destruição e maldade,
nos silêncios que habitam disfarçados,
que nos cantos da morte
se escondem nas tristes ruas!...
Mas quero os límpidos dias da reconciliação
e as cristalinas estrelas da noite
a iluminarem os corações humanos! 
Dai-me as vossas mãos,
e com os sorrisos da alegria
e as lágrimas enxutas, dancemos
e cantemos a partilha do amor e da paz entre todos!
Inventemos a música,
deixemo-la transparecer dos corações
e cantemos à vida,
meus queridos amigos! Cantemos!

Não posso viver neste tempo triste,
onde a dor envolve o espírito
e a beleza é golhetinada pela violência;
onde a voz é amordaçada pelo cárcere!
Oh tempo de instintos maléficos,
não quero beber nessa taça
que é servida por tantos!
mas sim, na inocente taça da ternura, do afeto, da amizade!

O aroma das flores se espalhe pela terra,
e o brilho das estrelas,
envolva os corpos renovenescidos!
Que o incêndio da minha voz,
se espalhe nos ecos do tempo,
e só se apague,
com as águas das fontes da felicidade e do amor!
Do ventre da vida,
sempre nasça o fruto da paz, da harmonia!

Se assim não for, morrerei!
Morrerei sim!
Morrerei com a angústia
e o desespero cravado em meu coração!
Mas sim, queria morrer com a paz universal,
entre todos os povos!  


Valdemar Muge

sábado, 7 de maio de 2016

UM MARCO DE FÉ


Eis um símbolo da fé dum povo; 
eis um marco que a fé ergueu:
o templo que resiste às águas
porque a pedra diz que é seu,
e não as ondas que o deu!

Das brancas areias,
lavadas pelas águas do mar,
ergue-se da pedra,
a imagem que se venera;
a que perpétua o facto;
que simboliza o acontecimento;
que revive a fé dum povo, em Cristo seu protector.

Da rocha, ergue-se o templo que as águas enfrenta
como valoroso de que a fé será maior que a força!
As águas enfrenta e a elas sempre tem vencido:
por elas não quer ser levado,
por o povo, quer continuar a ser erguido!

Esteja rodeado das brancas areias
ou das salgadas águas que lhe quer abraçar,
(talvez, também o queira consigo levar,)
sempre se erguerá ao céu;
à luz da fé que o acolhe;
ao sentir nos corações,
de que existe um protetor
para a alegria da vida e da dor!


Valdemar Muge

sábado, 6 de setembro de 2014

NAS RUAS QUE PERCORRIAS


Na rua por onde percorrias
nos fadigados dias que passam,
 com tua airosidade juvenil,  nela largavas
quanta alegria,
quanta graciosidade no ar deixavas.
Elas ficavam mais floridas,
ficavam com quanta suavidade e cor:
era teu perfume de flor que também o eras;
teu natural encanto, do teu suave odor.
Seus olhos, deixavam cair no olhar
o encanto da graciosidade;
sua boca, o silencio da tranquilidade
e os sons da feliz mocidade;
do seu corpo,
a beleza se espalhava na aragem que passava
e a todos envolvia, afagando.

Ó flores de encanto meu, que já não vos vejo!
Das tuas ruas de encanto seu,
as flores de então, já a vida viveu:
saudosas talvez, daquelas que por lá viveu.
Ó fontes que também por elas choraste,
 vossas lágrimas correram no leito da saudade
 desses dias alegres passados e de felicidade.

Hoje respiro na aragem que passa
com as saudosas recordações que ainda me enlaça,
desse encanto das flores  da minha terra
 que nas ruas percorriam e que à luz do dia a todos sorriam
e aos corações faziam amar.
Hoje nas fadigadas ruas por onde passo,
outras airosidades outros corações abraça.
Das antigas flores de encanto meu,
daquelas de graciosidade infinda que os corações abraçava,
resta-me a saudade que fica do que já passou…
nas actuais, é futuro que no tempo ficou.

Valdemar Muge

quarta-feira, 19 de março de 2014

SAÚDADE


Vivo embalado no pensamento da saudade,
no Outono das estações,
das recordações passadas,
quanto vividas, quanto sentidas e amadas.

Navego na brisa do mar onde cresci,
das águas que à praia me murmuravam, onde vivi;
na saudade das quentes tardes
e do pôr do sol que as águas adormecia;
das frescas noites que aquele mar embalava
numa carícia que a maresia dava!
Que saudade,
quanto se amava!

Vivo no pensamento da saudade
do crepitar alegre do meu povo
que a beleza da mocidade dessa gente
sabe dar e nossos corações recebe e sente.
Da azáfama da labuta pela vida;
da esperança não perdida, sempre renascida.

Meu pensamento percorre as ruas polidas pelo trabalho
e dos sorrisos gentis da cordialidade e simpatia;
Dos campos trabalhados e ceifados;
Dos canteiros e janelas floridas ao sol primaveril
que abraçam e coloriam a natureza da minha terra.
Mas hoje, em meu coração chove
a saudade do tempo que passa
e a nostalgia nele enlaça.

Vivo nas horas sentidas da saudade,
nas badaladas que o relógio adormece,
que o tempo esfria e a vida estremece...
já não são quentes as noites que as estrelas espreitavam
as serenatas que se entoavam às janelas,
e aquele amor que quanto se ansiava, o sorriso dava.
As desfolhadas que os abraços se dava
entre corações em festa e lábios com sorrisos.
Saudades tantas, dessas noites quentes!
Agora, as estrelas embaciadas e lentas,
já não correm como tanto se via...
como na mocidade tudo corria, se vivia!...
Nas noites frias,
a saudade acontece
e o coração empobrece.

No vento da vida de então, vivi, sonhei…
nele, meu ser correu e os sonhos viveram.
Agora, o tempo é sereno, ameno,
e no aconchego da quietude, mora esta saudade.
Esta saudade que cada vez mais cresce,
que cada vez ao coração mais pertence,
que cada vez
mais à minha alma vence.

 Valdemar Muge 


                                                               

domingo, 5 de maio de 2013

ONDE ESTÃO AS ROSAS



Onde estão as rosas
que deixaste espalhadas
nos teus singelos e queridos momentos?
Saudade delas agora tenho...
Onde estão as flores
que deixaste com tuas orações e afectos,
na tua quietude havida?
Como as queria agora abraça-las...
Onde estão as pétalas do amor
que espalhaste aos corações queridos,
para que fortalecesse a união fraternal?
Como agora ainda as queria receber...
Onde estão as sementes
por ti semeadas
que na vida as lançaste
com teu carinho e amor?
Onde estão?
Ó saudosos tempos de paz,
amor e afecto!...

- Essas, não morreram!
Vejo-as nos corações que te recordam
e que sempre te amam.
Vejo-as no que à minha volta rodeia,
deixado e sentido por ti.
Tuas sementes,
florescerão sempre nos corações
que desejam o amor e a fraternidade, Mãe.

Valdemar Muge

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

POEMA FRATERNAL


Recordações, fragmentos da vida passada,
lembranças tantas, do quanto vivemos.

Quantas lembranças, objectos arrecadados moram:
recordações queridas, que no peito ainda afloram.
Eis aquelas fotografias, esquecidas algumas,
recordam momentos da sua serena juventude,
de encanto primaveril.
Nelas, está a imagem da esperança do amor
de mulher, e de ser mãe.
Exalam o ânimo duma nova família;
a vontade de lutar para a vida!

Mas a Luz das recordações,
traz à memória
quanta triste ilusão
que ocorreu na estrada peregrina:
Todos os desejos acabam
e tudo lá ficou...
destino cruel duma vida.

Valdemar Muge